VCI Composites do Brasil Rascunho de trabalho
← Estudos técnicos

A subida, passo a passo

Isto é um rascunho de trabalho. Serve para alinhar o entendimento do processo antes de virar documento. A linguagem é direta e cada termo é definido onde aparece pela primeira vez. Nada nesta página é decisão tomada.

O drone sobe uma vez só, a 6 m da superfície da torre, e vai descobrindo a máquina de baixo para cima. Precisa estar aí perto porque o C1 só enxerga 8 m. Cada coisa que ele descobre serve para achar a próxima. Este rascunho percorre a sequência etapa por etapa, e responde de passagem às duas perguntas que ficaram abertas: o que é o spinner e se o sensor não fica vendo a pá P1 inteira enquanto sobe.

Antes: o vocabulário mínimo

São cinco palavras. Vale fixar, porque o resto do texto usa todas.

TermoO que é
Torre O tubo de aço. Vai do chão até 90 m. Vai afinando: 4 m de largura embaixo, 2,6 m em cima.
Nacele A caixa em cima da torre. Dentro dela ficam o gerador e a caixa de engrenagens. Tem por volta de 8 m de comprimento.
Cubo A peça de aço onde as três pás são parafusadas. É o centro do rotor — o ponto em que as três raízes se encontram.
Spinner A capa de fibra que cobre o cubo. É o "nariz" arredondado da máquina. Serve para proteger o cubo do tempo e para melhorar a aerodinâmica.
Telêmetro Laser de feixe único embutido na câmera Zenmuse H20, com alcance de 1200 m. Mede um ponto só — o centro do quadro — e não varre. É ele que acha a torre antes de o C1 ter alcance.
Raiz da pá O primeiro trecho da pá, junto ao cubo. É um cilindro liso, de cerca de 2,5 m de diâmetro e 10 m de comprimento. Depois dele a pá passa a ter perfil de asa.

O que é o spinner, e por que ele importa tanto

O cubo é uma peça de aço de formato irregular, cheia de flanges e parafusos, e não fica exposta ao tempo. Por cima dela vai uma capa de fibra de vidro, com três furos por onde as pás saem. Essa capa é o spinner.

Do lado de fora, o spinner é a única coisa que se vê do cubo. É aquele bojo arredondado na frente da máquina, do qual saem as três pás.

A propriedade que interessa O spinner é redondo em torno do eixo de rotação. Tem que ser: se não fosse, ele bateria em alguma coisa quando o rotor girasse. Isso significa que o centro do spinner é o centro do cubo. Achar um é achar o outro.

E é isso que o torna o alvo certo. O sensor não precisa reconhecer formato nenhum, nem identificar peça nenhuma. Ele só precisa achar uma coisa redonda — e achar coisas redondas é exatamente o que ele já vem fazendo desde os 5 metros de altura, na torre.

O topo da máquina, visto de lado torre NACELE gerador, engrenagens cubo (aço, por dentro) SPINNER a capa de fibra redonda em torno do eixo raiz da P1 cilindro liso, ~10 m raiz da P2 eixo de rotação drone 6 m
O cubo por dentro, o spinner por fora. O sensor nunca vê o cubo — vê o spinner. Como o spinner é redondo em torno do mesmo eixo, o centro de um é o centro do outro. Note também a raiz da P1 saindo por cima: é um cilindro liso, e ela vai reaparecer mais adiante neste rascunho.

A subida, etapa por etapa

O sensor gira 360° dez vezes por segundo e devolve, a cada giro, um recorte horizontal do que está em volta — uma fatia. Subir é empilhar fatias. Mas o C1 só enxerga até 8 m, e isso condiciona a missão inteira: antes de subir, o drone precisa chegar perto.

1

Decola longe, e o C1 não vê nada

30 m da torre · sobe a 5 m

A decolagem é a cerca de 30 m do pé da torre, por segurança e acesso. A essa distância o C1 não devolve nada: o alcance dele é de 8 m e a torre está quase quatro vezes mais longe. A fatia volta vazia.

Quem acha a torre nesta etapa é outro sensor: o telêmetro da câmera, um laser de feixe único com alcance de 1200 m. Distância não é limitação para ele; a limitação é outra: ele mede um ponto só, o centro do quadro da câmera, e não varre sozinho.

Quem varre é o gimbal, girando a câmera de um lado ao outro. Fora da torre o feixe se perde, sobre ela devolve cerca de 30 m. A transição marca as bordas, e daí saem a direção, a distância e o diâmetro.

Sai daqui: para que lado fica a torre e a que distância. Sem participação do C1.
2

Aproxima-se até 6 m da torre

30 m → 8 m do eixo

O drone avança a 0,5 m/s, ainda a 5 m de altura. Em torno dos 10 m do eixo a torre entra no alcance do C1 e a fatia ganha vida: aparece o arco de círculo. A aproximação segue até 8 m do eixo da torre, que na base equivale a 6 m da superfície.

A partir daqui há duas medidas independentes da mesma distância — telêmetro e C1. Se elas discordarem em mais de 0,5 m, a aproximação para.

Sai daqui: a posição de trabalho da subida, e a primeira conferência cruzada entre os dois sensores.
3

Sobe perfilando, vendo só a torre

5 m → 76 m

Agora sim começa a subida, mantendo os 8 m do eixo. A fatia devolve sempre a mesma coisa: um pedaço de círculo. É a torre, vista de cima. Nada mais está perto o bastante para aparecer.

Parece pouco, mas é a etapa mais importante. Um círculo diz exatamente onde está o seu centro. Comparando o círculo de uma fatia com o da fatia anterior, o drone sabe o quanto se moveu — sem GPS. E empilhando todos os centros, sai uma reta vertical: o eixo da torre.

Um detalhe de precisão: o drone mantém distância constante do eixo, não da superfície. Como a torre vai afinando, a folga real cresce de 6,0 m na base para 6,6 m aos 76 m.

Sai daqui: o eixo da torre, e a capacidade de se localizar sem GPS.
4

Recua, porque lá em cima a máquina avança

76 m

Aqui é preciso fixar de onde se mede, senão as distâncias não se somam. Todas as medidas abaixo partem do eixo da torre — a reta vertical no centro dela, que é justamente o que a etapa 3 mediu.

Do eixo da torre até…Distância
a superfície da torre, aos 76 m1,4 m
o drone, durante a subida8,0 m
o plano em que as pás giram7,5 m
o ponto mais avançado da máquina8,7 a 9,0 m

Ou seja: não é “6 m mais 9 m”, nem “3 m de sobra”. Os dois números saem da mesma origem, e o drone está a 8,0 m enquanto a máquina chega a 9,0 m. A folga é negativa: 1 metro. Mantendo o afastamento da subida, o drone não passaria raspando — ele entraria no volume ocupado pela máquina.

Os 6 m que aparecem na etapa 2 são outra coisa: distância até a superfície da torre. Como a torre tem 2 m de raio na base, 6 m de superfície e 8 m de eixo são a mesma posição. Lá em cima, onde a torre afinou, essa convergência se perde — e o que importa passa a ser o eixo.

E em que altura recuar?

Esta é a parte que o roteiro não resolve por medida, e vale dizer com clareza.

O recuo dispara a 14 m abaixo da altura estimada do cubo — no caso, aos 76 m. Estimada, não medida: entra como parâmetro da missão, vindo da ficha da máquina ou do operador.

E não adianta querer medir na hora. Quando o obstáculo entra no alcance do C1, o drone já está dentro dele — não há aviso prévio. O telêmetro alcançaria de sobra, mas o gimbal da H20 só inclina para cima até 30°, e a 8 m do eixo o topo da máquina fica muito acima disso. Para enxergar o topo o drone teria de estar a 24 m do eixo (voando a 76 m) ou a 147 m (voando a 5 m) — e aí a torre sai do alcance do C1, que é o que sustenta a navegação sem GPS.

O que protege o drone é a margem, e ela é larga. Do gatilho aos 76 m até a altura em que o volume da máquina começa, há 12 m de subida. A manobra consome 5,5 m de deslocamento lateral — cerca de 11 s, ou 3,3 m de altura no ritmo da subida. Sobram 8,7 m. Traduzindo: a altura estimada do cubo pode estar errada em quase 9 metros para menos que a manobra ainda se completa a tempo. Errar para mais só custa perfilamento perdido, nunca segurança.

Nove metros de tolerância é muito para uma altura de cubo, que costuma vir em degraus de 10 a 20 m entre modelos. Mas continua sendo um parâmetro informado, e não algo que a missão descobre sozinha.

De onde saem os 13,5 m, e a armadilha embutida

O afastamento de recuo não é escolhido: ele é calculado como plano do rotor (7,5 m) + afastamento de percepção (6,0 m). A referência é o plano do rotor, e não o ponto mais avançado da máquina. Como o nariz avança 1,5 m além desse plano, a folga real é sempre menor do que o afastamento de percepção sugere:

folga até o nariz = afastamento de percepção − 1,5 m

Afastamento de percepçãoPosição do droneFolga até o nariz
8 m15,5 m+6,5 m
6 m atual13,5 m+4,5 m
4 m11,5 m+2,5 m
3 m10,5 m+1,5 m
1,5 m9,0 mencosta

Quem reduzir o afastamento de percepção achando que mantém aquela folga vai errar por 1,5 m — é a mesma confusão entre plano do rotor e nariz que este projeto já cometeu uma vez, e ela está embutida na fórmula do roteiro, não só no texto.

Uma nota tranquilizadora: recuar para 13,5 m não custa a medida do cubo. O centro do spinner fica a 6,0 m do sensor, dentro dos 8 m de alcance. A etapa 7 continua funcionando.

Sai daqui: nenhuma medida nova. É manobra de segurança, disparada por um parâmetro informado.
5

A fatia esvazia — e não é porque a torre acabou

80 m

Em certa altura a fatia deixa de devolver o arco de círculo. O roteiro atual lê esse evento como “a torre acabou” e usa a última fatia válida para definir a altura do cubo. Essa leitura está errada, e a conta mostra por quê.

O recuo da etapa 4 não é um degrau: é uma diagonal que vai afastando enquanto sobe. E quanto mais o drone se afasta, menos da torre cabe nos 8 m de alcance do C1 — até não caber nada.

AlturaAfastamentoAté a superfície Arco visívelPontos
76 m8,00 m6,59 m160°28
78 m8,69 m7,29 m113°23
79 m9,03 m7,65 m78°17
80 m9,38 m8,00 m7°1
82 m10,06 m8,70 m—0
85 m11,09 m9,76 m—0
89 m12,47 m11,16 m—0
A fatia esvazia aos 80 m. A torre só termina aos 89 m. São 9 metros de subida em que a fatia está vazia por afastamento, e não por fim de torre — e o drone não tem como distinguir uma coisa da outra.

Consequência direta: o critério “altura do cubo = última fatia válida” devolveria 80 m onde o cubo está a 90 m. Um erro de 10 metros, na medida que orienta todo o resto da missão.

E não é questão de voar melhor. Aos 89 m, para manter a torre dentro dos 8 m o drone teria de estar a no máximo 9,31 m do eixo; para não encostar no nariz da máquina, a no mínimo 9,00 m. A janela é de 31 centímetros, com folga zero na borda de baixo. Não existe trajetória que observe o topo da torre e passe longe da máquina ao mesmo tempo.

O que sobra nesse trecho é o telêmetro: apontado na horizontal, ele continua medindo a distância até a torre e mantém uma referência. Mas ele devolve um ponto, não um círculo — serve para não derivar, não para medir a altura do topo.

Quem realmente mede a altura do cubo é a etapa 7. O raio da esfera ajustada ao spinner cresce, passa por um máximo e diminui, e a altura do máximo é a altura do cubo — com precisão de centímetros. E funciona justamente de 13,5 m, porque o centro do spinner fica a 6,0 m do sensor. O afastamento que impede a medida da torre é o mesmo que permite a medida do cubo.
Sai daqui: nada. É um trecho cego — e reconhecê-lo como tal é o ponto desta etapa.
AlturaAfastamento do eixoFolga até o nariz
76 m8,00 m−1,00 minício do recuo
78,9 m9,00 m0cruza a pele da máquina
82 m10,06 m+1,06 m
88,6 m12,33 m+3,33 mo volume da máquina começa
89 m12,47 m+3,47 mo círculo da torre acaba
92 m13,50 m+4,50 mfim do recuo

Ou seja: 9 m não seria distância suficiente — 9 m é exatamente onde fica a pele do spinner, folga zero. Quando o círculo da torre acaba, o drone já está a 12,47 m, e cruzou a linha dos 9 m bem antes, aos 78,9 m de altura. Entre estar livre e o perigo passar a existir há 9,7 m de subida. A ordem é essa de propósito: o recuo termina de valer muito antes de a máquina aparecer.

Sai daqui: a altura em que a torre termina.
6

Aparece a nacele

88 m → 94 m

A fatia passa a mostrar um retângulo. É a caixa da nacele, cortada na horizontal. Serve de confirmação — a máquina está ali —, mas não é o que estamos procurando.

Sai daqui: confirmação. Não é medida.
7

Aparece o spinner, e o raio dele cresce

88,5 m → 91,5 m

À frente do retângulo começa a aparecer um arco de círculo. É o spinner. Como ele é uma bola, o círculo é pequeno embaixo, cresce, atinge o máximo, e volta a diminuir.

A altura do máximo é a altura do cubo.

E o centro desses círculos é o centro do cubo. É o mesmo ajuste de círculo da etapa 3, apontado para a frente em vez de para a torre.

Sai daqui: o centro do cubo, em três coordenadas. É o alvo da missão.
8

Da ligação entre dois pontos sai a direção da máquina

cálculo

Agora o drone tem dois pontos medidos: o eixo da torre e o centro do cubo. A reta que liga os dois é a direção para onde a máquina está olhando. Não precisa medir ângulo nenhum, nem reconhecer o formato da nacele.

E o comprimento dessa reta tem de dar aproximadamente 7,5 m. Se der outro valor, alguma medida saiu errada e a missão interrompe. A verificação não custa manobra nenhuma.

Sai daqui: a direção da máquina, e o plano onde as três pás giram.

Sua pergunta: e a P1, o sensor não fica vendo ela inteira?

Fica. Você está certo — e essa pergunta abre duas coisas diferentes, uma boa e uma que explica o resto do roteiro.

Vamos ao cenário: o rotor parou em Mercedes, que é uma pá apontando para cima e duas para baixo. A pá de cima é a P1. Ela sai do cubo, a 90 m, e vai reta para cima até 150 m.

O drone está a 13,5 m do eixo da torre. A P1 está a 7,5 m do mesmo eixo. Ou seja: a P1 está a 6 metros do drone, durante toda a subida. Bem dentro dos 8 m que o sensor enxerga. Então sim, ela aparece na fatia o tempo todo.

Os dez primeiros metros medem sozinhos

De 91 m até cerca de 101 m, o que está ali ainda não é a asa — é a raiz, o cilindro liso. E um cilindro cortado na horizontal dá um círculo.

Ou seja: exatamente o mesmo ajuste das etapas 3 e 7, pela terceira vez. O sensor recolhe cerca de 33 pontos por fatia, ajusta o círculo, empilha os centros. E aí vem o detalhe que interessa.

Se o rotor não parou exatamente em Mercedes, a raiz sai inclinada — e a pilha de centros deixa de ser vertical. A inclinação dessa pilha é o quanto o rotor errou a parada. Testei com desvios de 5° a 25° e o ângulo volta certo, com erro zero no modelo.

Isso é relevante porque o ângulo de parada do rotor era o último desconhecido da missão. Ele sairia medido na própria subida, sem nenhuma manobra adicional.

Acima da raiz, a vista de frente deixa de servir

Acima de 101 m termina o cilindro e começa a asa. A situação muda por completo — não porque a pá saia de alcance, mas por causa de como ela está virada.

Com a turbina parada, as pás ficam embandeiradas: giradas de lado, para o vento passar sem empurrar. Nessa posição, a pá fica com a parte fina apontada para quem está na frente da máquina — que é justamente onde o drone está.

A comparação mais direta é uma folha de papel. De frente ela é uma superfície; de lado, um traço. A pá embandeirada, vista da frente da máquina, está na segunda posição.

Os números medem exatamente isso. Nas duas colunas o drone está à mesma distância da pá — 6 metros. Muda apenas de que lado ele está.

Altura De frente
pontos por fatia
De lado
pontos por fatia
Quanto da pá aparece
de frente / de lado
91 a 101 m raiz 33— o cilindro inteiro
105 m8420,43 m / 3,22 m
110 m7370,37 m / 2,79 m
120 m5300,25 m / 2,23 m
130 m4220,21 m / 1,60 m
140 m3150,14 m / 1,06 m
149 m ponta17— / 0,45 m

De frente, o sensor recolhe de 3 a 8 pontos e alcança 20 a 40 centímetros de pá. De lado, recolhe de 15 a 42 pontos e alcança a largura inteira, que na base passa de 3 metros. É cinco vezes mais informação, à mesma distância.

Não é possível reconstruir a superfície de uma pá com 4 pontos por fatia. Por isso o roteiro contorna a máquina e sobe pelo lado, dentro do plano em que as pás giram.

Resposta à sua pergunta: sim, o C1 vê a P1 durante toda a subida. Mas o que ele recebe de frente é o bordo de ataque, não a superfície da pá. Serve para saber que ela está lá e para não colidir com ela; não serve para medir. A única parte que a subida de frente mede bem é a raiz — porque um cilindro apresenta a mesma seção de qualquer ângulo.

Onde isso deixa a discussão

Se o entendimento acima estiver correto, a subida passa a entregar três resultados em vez de um, sem nenhuma manobra adicional:

  1. O eixo da torre — já obtido hoje.
  2. O centro do cubo, pelo spinner — é a proposta em discussão.
  3. O ângulo em que o rotor parou, pela raiz da P1 — o ponto que a sua pergunta levantou.

Com os três, o drone chegaria à fase das pás já sabendo onde cada raiz está, em vez de prever pela posição de Mercedes e corrigir depois. Resta examinar se isso simplifica ou complica o roteiro — e, antes disso, confirmar se a descrição do processo corresponde ao seu entendimento.

O que ainda não está resolvido

Dois pontos, e ambos apareceram durante esta conversa.

1 · O simulador não tem spinner. No modelo atual, o topo da máquina é uma caixa só, somando nacele e cubo. Os números desta página vieram de um modelo estendido. Enquanto o spinner não entrar no simulador, nada disto pode ser testado contra a missão inteira.
2 · A altura do recuo é informada, não medida. A missão se apresenta como capaz de operar sem cadastro prévio da turbina, e quase é: torre, cubo e orientação saem todos de medição. A altura estimada do cubo é a exceção — entra de fora, e é dela que depende a etapa 4. A tolerância de 9 m torna isso pouco arriscado na prática, mas a afirmação de “sem cadastro” merece essa ressalva.
3 · O roteiro mede a altura do cubo por um critério que não funciona. “A última fatia com círculo válido” devolve 80 m, porque é aí que a torre sai do alcance do C1 por causa do recuo — e não os 90 m onde o cubo está. Erro de 10 metros. Não há trajetória que corrija isso: observar o topo da torre e passar longe da máquina são exigências incompatíveis, com uma janela de 31 cm entre elas. A medida do spinner resolve, mas depende do item 1.

A missão inteira, em movimento

A mesma figura do topo da máquina, agora com o drone percorrendo o roteiro. A câmera começa afastada, mostrando a torre inteira, e vai aproximando conforme a subida avança. A linha horizontal que sai do drone é o alcance do C1 — 8 metros: quando ela chega em alguma coisa, há fatia; quando termina no vazio, não há.

Da etapa 9 em diante a vista muda, e a razão é geométrica: de lado, o plano do rotor está de perfil. As três pás se projetam todas sobre a mesma linha vertical, e o ângulo em que o rotor parou fica invisível. Para vê-lo é preciso olhar a máquina de frente. É a mesma limitação que o drone enfrenta — nenhuma vista sozinha resolve a turbina inteira.

Respondendo direto: sim, o alvo final são as três pás Todo o trabalho da subida — eixo da torre, altura do cubo, centro do cubo, direção da máquina — existe para uma coisa só: saber onde cada pá está, com precisão suficiente para fotografá-la de perto. A etapa 9 mostra as três raízes localizadas; a etapa 10 mostra as passagens da câmera que produzem as 232 fotos.

O botão Parada do rotor emula o que o freio de fato entrega. Mercedes é a posição mirada, não a alcançada. Aumentando o desvio, o tracejado mostra onde a previsão dizia que a pá estaria e a figura cheia mostra onde ela está — e a diferença entre raiz e ponta é o argumento inteiro da regra de aproximação:

Desvio da paradaA raiz sai do lugarA ponta sai do lugar
5°0,94 m5,2 m
10°1,88 m10,5 m
20°3,75 m20,8 m
25°4,68 m26,0 m

A razão é sempre 5,6 vezes, que é 60 dividido por 10,8. Chegando pela raiz, a pá continua dentro do alcance do sensor mesmo com o rotor 20° fora do lugar; chegando pela ponta, ela estaria a 20 metros do ponto esperado e o sensor miraria o vazio. Daí a regra de que a pá é sempre buscada pela raiz.

O desvio também muda a vista de lado, de um jeito discreto: a raiz da P1 sai lateralmente do plano do desenho. A 25° ela está 2,33 m para o lado, e a distância até o drone sobe de 4,75 para 5,19 m — continua em alcance. A animação avisa quando isso acontece, porque é justamente o tipo de deslocamento que uma vista só esconde.

1 / 8 — —
—
Parada do rotor
EtapaAlturaDo eixoO que a fatia devolve
1 · Decola longe0 → 5 m30,0 mnada — a torre está a 28 m
2 · Aproxima-se5 m30 → 8 mo arco aparece por volta dos 10 m do eixo
3 · Sobe perfilando5 → 76 m8,0 mo arco da torre, fatia após fatia
4 · Recua76 → 80 m8,0 → 9,4 mo arco encolhendo
5 · A fatia esvazia80 m9,4 mnada — e a torre ainda existe até 89 m
6 · Trecho cego80 → 88,3 m9,4 → 12,2 mnada, por 8 metros de subida
7 · Aparece o spinner88,3 → 91,5 m12,2 → 13,3 ma nacele aos 88,0 m; o arco do spinner aos 88,5 m
8 · A direção da máquina92 m13,5 mo vetor eixo → cubo, de 7,5 m
9 · As três raízesplano do rotor, de frentea circunferência de 10,8 m e o desvio da parada
10 · Onde as fotos são tiradasa 15 m de afastamento12 passagens + 3 arcos = 232 fotos

Por que a missão dispensa RTK

Sem RTK, a navegação do drone tem precisão da ordem de ±0,40 m. É uma pergunta razoável se isso não derruba tudo — quarenta centímetros parece muito para quem voa a 6 m de uma pá.

Não derruba, e a razão é o próprio motivo de existir do perfilamento: a missão não navega por coordenadas do mundo. Tudo o que ela mede é relativo à máquina, e a máquina é remedida dez vezes por segundo.

Onde as margens são apertadas, a malha é fechada no sensor

Nas fases em que o drone chega perto de alguma coisa, a variável controlada é a distância medida, não a posição estimada. O pseudocódigo do roteiro é explícito:

enquanto d_telemetro > 8.0: avanca … se d_telemetro < 6.0: RECUA
enquanto d_lidar > 8.0: aproxima … se secao vazia: PARA
a cada fatia: corrige_afastamento(d → 6,0 m)

Um viés de GNSS desloca a estimativa de onde o drone está no mundo, mas o controlador lê o sensor e corrige. O erro é rejeitado pela malha. Isso vale para a aproximação, o perfilamento inteiro, a aquisição da pá e os três seguimentos a 6 m — que é justamente onde o drone chega mais perto de alguma coisa.

Soma-se a isso que o círculo da torre é reajustado a cada fatia. A posição horizontal em relação à torre volta a ser absoluta dez vezes por segundo: não há deriva acumulando.

Onde o erro entra de fato

Só nos trechos em que nada externo está sendo medido — malha aberta, apoiada em GNSS e inércia. São três, e todos têm folga larga:

Trecho em malha abertaMargem Consumo a ±0,40 ma ±1,5 m
Trecho cego, 80 → 88,3 m3,23 m12%46%
Trânsitos entre pás12,00 m3%12%
Fotografia a 15 m, até a guarda7,00 m6%21%

A ±0,40 m nenhum passa de 12%. E a guarda de proximidade do C1 continua ativa a 8 m em todos eles, independente do que o GNSS esteja informando.

Na foto, o efeito é ainda menor

A 15 m de afastamento e 1,0 mm por pixel, o quadro cobre 5,18 m de pá. Um erro de 0,40 m no afastamento leva o GSD de 1,000 para 0,973–1,027 mm/px, e um erro lateral desloca 7,7% do quadro. Sobreposição de 70% entre fotos absorve deslocamentos de até uns 30%.

Ou seja: não é questão de segurança nem de resolução. É enquadramento, e sobra margem.

Duas ressalvas

O eixo vertical é o fraco. O ajuste de círculo fixa a posição horizontal, mas não diz nada sobre altura. A torre afina apenas 0,0078 m de raio por metro, então medir o raio com 1 cm de precisão daria a altura com 1,29 m — péssimo altímetro. O vertical fica por conta do barômetro e do GNSS.

O que isso custa: 0,40 m de erro nas pontas de uma pá de 49 m inclina o eixo ajustado em 0,47°, contra um portão de qualidade que rejeita acima de 3°. E um raio rotulado com 0,40 m de erro erra a corda em 2,4 cm, 1,2% de uma corda de 2 m. Ambos absorvidos — mas vale lembrar que o barômetro costuma derivar mais que isso ao longo de um voo, por variação de pressão. Se os ±0,40 m são do GNSS horizontal, o vertical pode ser pior.
O trecho cego volta a aparecer. É o único ponto da missão em malha aberta com margem estreita. A ±0,40 m consome 12%, o que é tranquilo. A ±1,5 m — GNSS comum, sem posicionamento por visão — consome 46%. São os mesmos nove metros que já estão na lista de pendências por outro motivo, e é a terceira pergunta desta conversa a terminar neles.
Resumindo. A frase “dispensa RTK” não é otimismo: é consequência de a missão medir tudo em relação à própria turbina, com o sensor no laço. O RTK daria posição absoluta melhor — e a missão simplesmente não precisa de posição absoluta. Precisa saber onde está a pá, e isso ela pergunta ao C1, não ao satélite.

← Estudos técnicos  ·  Achar o centro do cubo  ·  Como o drone encontra as pás