VCI Composites do Brasil Estudo — aquisição do cubo
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Achar o centro do cubo

As três raízes se encontram num ponto só. Achado esse ponto, tudo o mais é geometria fechada: o plano do rotor, a circunferência das raízes, a rota de aproximação. Esta página trata de como esse ponto é encontrado sozinho, partindo da premissa de que o drone decola de frente para o rotor.

O alvo é um ponto, não um formato. A missão não precisa reconhecer a nacele, nem medir ângulo nenhum diretamente. Precisa de uma coordenada 3D — o centro do cubo. Todo o resto se deduz dela e do eixo da torre, que já foi medido na subida.

1 · O que a missão realmente precisa

Vale listar o que é alvo e o que é consequência, porque a versão anterior deste estudo misturava as duas coisas e ficou confusa.

GrandezaPapelDe onde vem
Eixo da torreAlvoAjuste de reta sobre os centros de círculo da subida
Centro do cuboAlvoEsta página
Direção da máquinaConsequênciaVetor do eixo da torre até o centro do cubo
Plano do rotorConsequênciaPerpendicular a esse vetor, passando pelo cubo
Posição das raízesConsequênciaCircunferência de 10,8 m nesse plano
Relógio do rotorRestoÚnico desconhecido que sobra — tratado na aproximação

Repare no que saiu da lista: medir o retângulo da nacele para extrair um ângulo. Não é preciso. A direção da máquina é a reta que liga dois pontos já conhecidos, e uma reta entre dois pontos medidos é mais confiável que um ângulo extraído do formato de uma caixa.

2 · A premissa, e o que ela garante

O drone é obrigatoriamente posicionado de frente para o rotor antes de decolar. Isso entrega três coisas de graça:

3 · O que entra na fatia, subindo

Durante todo o perfilamento a fatia contém só a torre. Perto do topo isso muda, e muda em uma ordem previsível. Suba o drone no controle abaixo e acompanhe.

retorno do spinner retorno da nacele retorno da torre círculo ajustado
90,0 m
Pontos no spinner
—
Raio ajustado
—m
Arco visível
—°
Erro do centro
—cm
——

A sequência é sempre esta, e cada transição é uma medida:

  1. O círculo da torre para de aparecer — e aqui cabe um cuidado: no recuo da etapa de topo isso acontece por afastamento, aos 80 m, e não porque a torre tenha terminado, aos 89 m. É um trecho cego de 9 m, não uma medida. Ver a ressalva ao fim da seção.
  2. Aparece um retângulo — é a nacele, e serve de conferência, não de medida.
  3. Aparece um arco de círculo à frente do retângulo — é o spinner, a carenagem do cubo. É esse o alvo. Ele precisa se projetar claramente à frente da nacele: se estivesse inscrito no envelope dela, os flancos seriam ocultados e sobraria uma calota curta demais para ajustar. Em máquinas reais ele se projeta; no modelo atual do simulador, não existe.
  4. O raio desse arco cresce, atinge um máximo e volta a diminuir — o máximo marca a altura do cubo.

4 · O primitivo já existe

A parte boa desta abordagem é que ela não pede nenhum algoritmo novo. O perfilamento da torre já faz exatamente isto: tira uma fatia horizontal, ajusta um círculo por RANSAC, guarda o centro, empilha. A única diferença é para onde o círculo é ajustado.

Na torreNo spinner
Fatiahorizontal, 10 Hzhorizontal, 10 Hz
Modelo ajustadocírculocírculo
Raio típico2,0 a 1,3 m1,5 m
Empilhamentodá a reta do eixodá o centro da esfera
Sinal de fimo círculo some — mas por afastamentoo raio passa do máximo
Por que a altura do cubo não pode vir da torre. O roteiro atual define a altura do cubo como “a última fatia com círculo válido”. Só que o recuo afasta o drone de 8,0 para 13,5 m enquanto ele sobe, e a torre sai dos 8 m de alcance do C1 aos 80 m — nove metros antes de a torre realmente acabar, aos 89 m. O critério devolveria 80 m onde o cubo está a 90 m.

E não é corrigível por trajetória: aos 89 m, ver a torre exige estar a no máximo 9,31 m do eixo, e não encostar na máquina exige no mínimo 9,00 m. Trinta e um centímetros de janela, com folga zero. O ajuste da esfera resolve porque mede outra coisa, do afastamento em que o drone já está.

O spinner é um corpo de revolução em torno do eixo da máquina, e para o que interessa aqui pode ser tratado como uma esfera. Ajustar uma esfera sobre a nuvem empilhada dá, de uma vez só, as três coordenadas do centro e o raio — e o raio serve de porta de qualidade, porque é uma constante conhecida da máquina.

Por que a esfera, e não só fatia a fatia. Cada fatia isolada dá um centro no plano dela e nada sobre a altura. A esfera usa a nuvem inteira de uma vez, com a restrição de que todos os arcos pertencem à mesma superfície: sai a altura do cubo junto com as outras duas coordenadas, e sai o raio, que é a porta de qualidade. Nos ensaios a altura fica em ±0,2 cm.

5 · Por que estar de frente é exatamente o certo

Aqui está o ponto que faz a premissa valer a pena, e ele não é óbvio.

O LiDAR nunca vê a esfera inteira — só a calota voltada para ele, cerca de 150°. Ajustar um círculo a um arco parcial deixa um pequeno viés sistemático, e esse viés tem uma direção definida: ele aponta ao longo da linha de visada, porque é nessa direção que o arco parcial informa menos. É viés, não dispersão — empilhar fatias não o remove.

A pergunta certa, portanto, não é “qual o tamanho do erro”, e sim quanto dele cai perpendicular ao eixo da máquina. Chame de α o ângulo entre a linha de visada e o eixo. O que vaza para o lado perpendicular é o viés vezes sen α. De frente, α = 0 e não vaza nada.

α abre mais rápido que o desalinhamento. O drone está a 13,5 m do eixo da torre e o cubo a 7,5 m; os dois raios diferentes fazem alavanca. Cinco graus de desalinhamento viram 11° de α; dez viram 22°; trinta viram 58°. Cerca de 2,2×. Vale conhecer o fator, ainda que, como a tabela adiante mostra, a margem seja confortável em toda a faixa.
arco visível face oculta erro do ajuste (×20) média de 240 realizações de ruído
0°
2,0 cm
Erro no eixo
—cm
Erro perpendicular
—cm
Eixo inclina
—°
Raiz desloca
—cm
——

As duas componentes fazem coisas diferentes

ComponenteO que ela erraConsequência para a missão
No eixo
torre → cubo
O overhang: a distância do eixo da torre ao cubo Move as três raízes juntas ao longo do eixo. Muda o afastamento de aproximação, nada mais. Inofensiva até bem além de 1 m.
Perpendicular
ao eixo
A direção da máquina Inclina o plano do rotor. Cada centímetro vira 1,4 cm de deslocamento na raiz, sobre a base de 7,5 m. É a que precisa ser pequena.

E aqui a premissa entra em ação. O arco visível é simétrico em torno da linha que liga o sensor ao centro da esfera, e com o drone de frente essa linha coincide com o eixo da máquina. O viés, que só sabe escorregar ao longo dela, cai inteiro na componente que erra o overhang. A componente perpendicular fica nula por construção, não por sorte.

DesalinhadoαCubo a Erro no eixoPerpendicular InclinaRaiz desloca
0° a premissa 0,0°6,00 m 0,66 cm0,03 cm0,002°0,04 cm
5°11,2°6,06 m 0,78 cm0,13 cm0,010°0,19 cm
10°22,0°6,25 m 0,92 cm0,35 cm0,026°0,50 cm
20°41,7°6,94 m 0,57 cm0,49 cm0,037°0,70 cm
30°58,2°7,95 m 0,50 cm0,67 cm0,051°0,96 cm

Ruído de telemetria de 2 cm, média de 240 realizações. Os controles do gráfico acima refazem esta tabela ao vivo, inclusive para outros níveis de ruído.

A leitura honesta desses números

A margem é confortável em toda a faixa. Mesmo 30° fora do eixo, a raiz da pá sai menos de 1 cm do lugar — irrelevante contra os metros de incerteza que o relógio do rotor introduz. E o que sustenta essa robustez não é a premissa: é o arco generoso do spinner, cerca de 150°, que deixa o ajuste de círculo bem condicionado.

O que a premissa compra é mais específico, e continua valendo:

E os números escalam com o ruído: a 5 cm de telemetria, os 0,96 cm de 30° viram 5,4 cm. Ainda tolerável, mas é aí que a premissa deixa de ser conveniência e passa a ser exigência. O ensaio de bancada é quem decide em qual dos dois regimes o projeto está.

6 · Do cubo às três raízes

Com o centro do cubo na mão, o resto é aritmética. Nada aqui é procurado.

1

Direção da máquina

Vetor horizontal do eixo da torre até o centro do cubo. Base de 7,5 m entre dois pontos medidos.

2

Plano do rotor

Plano perpendicular a esse vetor, passando pelo centro do cubo.

3

Circunferência das raízes

Raio de 10,8 m nesse plano, centrada no cubo. As três raízes estão sobre ela, a 120° uma da outra.

4

Relógio do rotor

O único desconhecido. A previsão de Mercedes dá o palpite; chegar pela raiz limita o custo do erro.

Vista do plano do rotor, de frente eixo da torre 7,5 m — o vetor medido CUBO circunferência das raízes · 10,8 m raiz P1 raiz P2 raiz P3 120° único desconhecido que sobra: o ângulo de relógio do rotor a aproximação é feita pela raiz justamente para absorvê-lo
Esta figura é sempre a mesma. Ela apenas gira junto com a máquina. O procedimento não muda com a direção do vento — muda só o vetor de 7,5 m que orienta tudo, e esse vetor é medido, não suposto.

7 · Portas de qualidade

O método produz três números que já se conhecem de antemão, e por isso servem para reprovar a medida antes que ela vire trajetória.

ConfereEsperadoSe falhar
Raio da esfera ajustada1,5 mNão é o spinner — pode ser uma pá cruzando a fatia
Comprimento do vetor torre → cubo7,5 mAltura do cubo ou eixo da torre errados
Ângulo entre eixos de pá medidos120°Uma das pás foi mal segmentada

Nenhuma delas depende de cadastro da turbina: são propriedades da máquina que a própria medida tem de reproduzir. Uma medida que não reproduz é descartada e refeita.

8 · O que falta para valer

Um ponto de honestidade, porque afeta diretamente a leitura desta página.

O simulador ainda não tem spinner. No modelo atual da Simulação C1 o topo da máquina é uma caixa retangular, de 1,0 a 8,7 m do eixo da torre — que na prática soma nacele e cubo num corpo só. Os números desta página vieram de um modelo desmembrado: nacele de 1,0 a 6,5 m, e uma esfera de 1,5 m de raio centrada no plano do rotor, com o mesmo ray-cast a 0,72°.

O desmembramento tem duas consequências que valem ser ditas em separado.

Respondendo direto O que se procura é um ponto: o centro do cubo. Ele é encontrado ajustando uma esfera ao spinner, com o mesmo ajuste de círculo em fatias horizontais que o perfilamento da torre já usa — só que apontado para frente, no topo. A altura sai do pico do raio; o centro sai da esfera; a direção da máquina sai do vetor que liga o eixo da torre a esse centro; e as três raízes saem de uma circunferência de 10,8 m no plano perpendicular. Decolar de frente para o rotor não é um detalhe de conveniência: é o que faz o erro de ajuste cair todo na direção que não atrapalha.

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