O C1 é especificado para 40 mil lux. A face da pá batida pelo sol devolve de 100 a 120 mil. A decisão não é de preço — é de faixa de operação.
O RPLIDAR C1 mede uma fatia 2D horizontal a 10 Hz e sustenta hoje a aproximação e o perfilamento das pás. Seu datasheet, porém, declara limite de luz ambiente de 40.000 lux — um terço da condição real de trabalho. O Livox Mid-360S é 3D nativo, declara comportamento a 100.000 lux e aceita os 24 V da aeronave direto. Os dois diferem na faixa de luz, na vedação, na interface e no software.
Adotar o Mid-360S como sensor de percepção da arquitetura final. O C1 não é uma aposta que deu errado — ele opera fora da faixa declarada pelo próprio fabricante: 40.000 lux contra os 100.000 a 120.000 da face iluminada da pá, um fator de 2,5 a 3. A Slamtec anuncia 80.000 lux nos modelos em que pode; para o C1, lista apenas cenários internos.
O Mid-360S é da Livox, empresa incubada pela DJI — mesma origem da aeronave e da porta de expansão que vai alimentá-lo. O C1 segue no banco: leitura, interface e canal de dados com o drone não dependem de sol. A decisão é de faixa de operação, não de preço.
Não é certo que o C1 falhe. Os 40.000 lux marcam até onde o fabricante garante o comportamento, não um precipício: acima disso a degradação é gradual — o alcance encurta, surgem pontos espúrios e retornos passam a falhar de forma intermitente. Onde exatamente isso começa, só a medição em campo responde.
E o que satura o receptor não é o lux do ambiente em geral, e sim a luz solar que a pá devolve na direção do sensor. Isso depende menos do relógio e mais da geometria: elevação do sol, orientação da pá e qual das faces está sendo inspecionada.
| Condição de inspeção | Luz na face da pá | Situação do C1 |
|---|---|---|
| Face ao sol · 11h às 13h | 100 a 120 mil lux | Muito acima da faixa |
| Face ao sol · 16h | 80 a 95 mil lux | Ainda acima da faixa |
| Face ao sol · após 17h30 | 40 a 60 mil lux | Na borda da faixa |
| Face na sombra · qualquer hora | 10 a 20 mil lux | Dentro da faixa |
Às 16 h o sol está mais baixo, mas a luz que ele entrega a uma superfície voltada para ele cai pouco — o que despenca é a iluminância sobre o plano horizontal. Uma pá parada de frente para o sol às 16 h ainda devolve algo próximo de 90 mil lux. A janela só se fecha de fato perto do pôr do sol, quando a própria inspeção fotográfica já não se sustenta.
O que muda mais é a face inspecionada: na sombra da própria pá, o C1 volta para dentro da faixa. É plausível, portanto, que ele funcione em metade do trabalho e falhe na outra — e é exatamente esse o problema. Uma falha intermitente, condicionada à posição do sol e da pá, é o pior comportamento possível para o sensor que mantém a aeronave a 6 m de um ativo de milhões.
Há ainda um conflito de calendário: restringir o voo ao fim da tarde para agradar o lidar tira luz da câmera, que é o instrumento da inspeção. Sensor e missão passam a querer horários opostos.